sexta-feira, 29 de março de 2013

Minha Adolescência


Minha adolescência foi marcada muito pelo reflexo da infância. Quase sempre sem muitos amigos ou pessoas por perto. Sempre procurei evitar o contato direto com os outros. Mas isso não quer dizer que ficava apenas dentro de casa. Saía sim, mas não ia para onde os jovens da minha idade costumavam ir (boates, barzinhos, shows...). Nunca fui de frequentar lugares com grandes aglomerações de pessoas. 
Sempre tive grandes dificuldades na escola, seja com relação ao relacionamento com os outros colegas de sala, seja até mesmo com relação a concentração para os estudos. Nunca fui um aluno excelente, mas também nunca reprovei de ano, graças a Deus.
Sempre dei muito trabalho, por certa rebeldia, mas também sempre fiquei calado quando sofria alguma espécie de preconceito por parte dos outros. Preferi sempre, e ainda prefiro ser, uma pessoa que guarda para si os maiores de seus sofrimentos. 
Tanto sempre fui quieto, calado mesmo, em minha adolescência que a passei toda sem uma namoradinha que fosse, nem que fosse por apenas um único dia.
Gostava muito de ficar grande parte do meu tempo em meu quarto, com as minhas coisas e meus pensamentos.
Tudo isso, me trouxe grandes dificuldades na vida, pois nunca tive uma identidade própria, nunca tive pensamentos e ações autênticas. Eu era cópia daquilo que me diziam ser o certo.
Bom, pelo menos, uma coisa de bom não aconteceu na adolescência, assim como não aconteceu na infância, após os quatro anos de idade mais ou menos que são os ataques epiléticos. Sempre tive uma boa saúde, tendo apenas doenças ou problemas que qualquer adolescente de minha idade tem, principalmente os que possuem a minha deficiência.
Na escola, assim como em casa, sempre preferi usar, na adolescência, a calça plástica geriátrica adulta com absorvente geriátrico por dentro dela, pois a minha bexiga ainda tinha autonomia para suportar o período de uma hora antes de começarem as aulas diárias e mais uma hora, mais ou menos, após o término diário de aulas, ou seja, mais ou menos, de seis a sete horas sem precisar trocar o absorvente. Consegui manter essa rotina até mais de um ano depois que eu saí da faculdade, com mais de 26 anos de idade.
A calça geriátrica nunca me afastou das minhas obrigações. Jamais faltei a uma aula por causa da calça plástica. Mesmo eu tendo sérios problemas com tempos mais frios, jamais desisti de ter uma vida normal.
Mesmo algumas vezes eu tendo que voltar para casa molhado de urina num dia de frio (e não precisava ser muito), no dia seguinte eu ia adiante com a minha rotina, pois apesar de nunca ter sido e nunca ser um aluno brilhante, e apesar de nunca parecer, sempre gostei muito da escola e não seria uma calça jeans, ou uma calça de abrigo, ou até mesmo uma bermuda molhada de urina que iria me fazer desistir da escola.
Sempre tive sonhos e objetivos que, na adolescência, nunca compartilhava com ninguém. Tanto que, meus pais mesmo apenas ficaram sabendo o que eu gostaria de fazer como faculdade, próximo do encerramento de meu terceiro colegial.
Fiz todo o meu colegial em uma escola estadual, onde sempre fui um bom aluno (excelente não, mas bom). Essa escola não me deu grande base para enfrentar um vestibular, mas nunca me deixei abater, sempre fui à busca daquilo que eu precisava para passar no curso que eu queria prestar. Então, muitas vezes, nas aulas vagas, eu ia para a biblioteca, assim como nos dias em que os alunos faziam os “paredões”, junto com os professores, eu ia a escola para ficar na biblioteca me preparando, pois sempre respeitei as minhas dificuldades e sabia que não dava para brigar em pé de igualdade com alunos sem mielomeningocele e hidrocefalia em um concurso vestibular.
Aos dezessete anos, já no terceiro e último ano de colegial eu estava me preparando para fazer os meus primeiros vestibulares. Prestei para duas faculdades e dois cursos completamente diferentes. Primeiro prestei para a faculdade que eu queria muito e passei, para depois prestar para o curso de fisioterapia na UNESP de Presidente Prudente, já de cabeça bem fresca, sabendo do resultado da faculdade de Direito como positivo, e acabei não passando. Não fiquei entre os últimos, mas também não fui um dos primeiros, ficando no meio dentre os mais de 1500 candidatos.

2 comentários:

  1. Hoje vim aqui para lhe contar um testemunho ,moro em Varzea Grande, Cuiaba nasci com Hidrocefalia ,os médicos analizaram o meu caso e disseram que eu não iria viver muito tempo, a partir dai ,minha familia foi aos pés do Senhor e hoje estou com vida e saude e com19 anos , ando de onibus ,vou para qualquer lugar aqui em cuiabá se precisar,então eu digo que Deus é o Médico dos Médicos

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    1. Com certeza eu acredito, pois eu mesmo, moro sozinho, acordo cedo, tomo meu banho, pego ônibus todos os dias para ir trabalhar, subo uma rua que mais parece uma montanha, cruzo uma avenida movimentada e continuo a caminhar até chegar no meu serviço. Lá não possuo qualquer espécie de privilégio e realizo meu serviço como qualquer outra pessoa. Nós sempre podemos realizar qualquer coisa, basta querermos que um dia alcançamos.

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