segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Um pouco de mim e meus desafios

Meu nome é Marcelo Bravin Carmello, nasci em 1982, portador de mielomeningocele lombossacral com hidrocefalia. Sou o que sou hoje, graças às lutas de grandes pessoas envolvidas em meu tratamento, reabilitação e recuperação, ou seja, os meus pais, claro que também não posso esquecer dos médicos que, mesmo não acreditando que um dia eu viesse a andar, ou que, mesmo andando, pudesse um dia ter uma vida normal, eu agradeço.
Agradeço a cada uma das pessoas que passaram pela minha vida e que a marcaram de uma forma ou de outra, positiva ou negativamente, pois com cada uma delas aprendi a ser o que sou hoje e também, me ajudam sempre a construir o que serei amanhã.
Ao nascer foi descoberto que eu era portador de mielomeningocele lombossacral, ou seja, quando de minha geração no útero de minha mãe, a coluna cervical acabou não se formando de forma adequada. Esse fechamento inadequado da coluna, na linha da cintura acabou formando um "saquinho" de pele nas costas, para onde acabou sendo desviada a minha medula cervical. Os ossinhos das vértebras não se fecharam bem, e a minha medula, fez pressão na pele e formou um “saquinho” ficando presa lá dentro! Se a minha coluna não ficou bem fechada e a minha medula não desceu e ficou presa dentro do “saquinho”, é fácil perceberem que desse local para baixo, tudo vai funcionar “menos bem” em mim: Os meus rins, minha bexiga, intestino... Com isso, acabei tendo hidrocefalia, isto é, dentro da minha cabeça acabou acumulando-se liquido que, normalmente existe em todas as pessoas, mas em mim, há uma maior quantidade. 
Os primeiros anos da minha vida foram bem complicados para a minha família: cirurgias, exames, internamentos, fisioterapia, estimulação precoce e às vezes uma dose de sofrimento, tanto para mim como para a minha família, até mesmo com a perda de esperança de dias melhores… Mas devagarzinho e, à medida que eu fui crescendo todo o esforço valeu a pena! Aos poucos, eu comecei a fazer quase tudo o que os outros meninos fazem: brincar, pular, correr, jogar bola... 
Foi preciso que nunca houvesse desistência com relação a minha reabilitação. Difícil foi e ainda é, mas jamais desistimos de que um dia eu pudesse chegar onde cheguei e a conquistar tudo o que conquistei na vida.
Somente precisei de uma única coisa na vida, além do amor e a compreensão de que tudo em mim era sim, um pouco diferente de como seria em uma criança não deficiente, que me tratassem sempre como se eu fosse uma criança como qualquer outra. Que não houvesse ao meu redor uma redoma de vidro para a minha proteção. Eu jamais quis isso para a minha vida e jamais gostei que outras pessoas viessem com seus escudos para sempre quererem me proteger. Sempre quis sim, o carinho e a compreensão, mas o sentimento de autopiedade, esse, jamais!